10.04.06


É SÓ PRA QUEM PODE

Os períodos de transição dentro da música pop são os mais turbulentos. É notória a briga folk x rock lá nos anos 60, cujo protagonista foi Bob Dylan. E, mais ou menos há uns dez anos, o embate maniqueísta totalmente sem sentido entre rock x música eletrônica.

No meio da confusão, se dá bem quem não é cabeça-dura. Foi assim com Dylan e a guitarra elétrica. E foi assim também com o Massive Attack e as batidas do trip hop, no início dos anos 90.

Enquanto os teóricos se engalfinhavam sobre o fim do rock ou a suposta qualidade do novo estilo que começava a chegar ao mainstream, o trio de Bristol deixou o preconceito de lado e jogou no mesmo saco as então malvadas batidas eletrônicas, muita soul music, algum rock, convidados especiais e doses generosas de elegância, groove e criatividade. Resultado: uma das discografias mais importantes dos anos 90.

Eis que agora, para felicidade geral dos que ainda não esbarraram com a música do grupo, sai uma coletânea que reúne o filé do trio. E para os fãs das antigas, tem a inédita 'Live with me'. Estão lá as gemas desde o sensual 'Blue lines' até o etéreo '100th window'. Peça emprestado, roube ou implore seu primo para baixar para você, mas não fique sem esse disco.


Escrito por Daniel Tambarotti
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07.04.06

Ô PRAGA...

Os anos 80 não acabam nunca. É um tal de livro, joguinho, festa trash e exumação de corpos que eu vou te contar...

E na onda dos revivals, a bola da vez é o Siouxsie and the Banshees. Eis que mais de uma década depois do último disco de estúdio da banda, o fraco 'Rapture', estão remexendo no baú da banda. Capitaneado pela dark sexy Siouxsie Sioux, o maior sucesso desses ingleses no Brasil é a excelente 'Cities in dust'.

A Universal britânica vai colocar na rua em junho próximo os discos 'The Scream', 'Join Hands', 'Kaleidoscope' e 'Juju', os quatro primeiros álbuns do grupo. Todos remasterizados e com faixas extras e bônus. Era o mínimo, né?

Steven Severin, o baixista original, disse à Billboard que é uma pena o mítico (e não oficial) 'Track sessions' não aparecer na lista de relançamentos. 'As pessoas vão continuar comprando-o via piratas', atesta ele.

Está previsto também o DVD do vídeo 'Nocturne', com um show gravado em Londres em 82, além de um especial para a TV britânica 'Play at home'. Nada disso tem previsão de lançamento no mercado americano.

Agora é rezar para a banda não voltar a gravar e excursionar. Vai que esse clima gótico toma conta da música pop de novo... Sai pra lá.


Escrito por Daniel Tambarotti
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05.04.06

ROENDO POR FORA

Não acredito nessa história de 'conjunção cósmica' para explicar o sucesso (ou não) de alguém ou alguma coisa. Mas tenho certeza de que estar na hora certa e no lugar certo, digamos, ajuda bastante.

O americano Danger Mouse (Brian Burton na certidão de nascimento) se encaixa nesse caso. Aos fatos: o atual projeto capitaneado pelo cara - Gnarls Barkley - é o responsável por 'Crazy', a música que cometeu a façanha de ser a primeira na HISTÓRIA a chegar ao primeiro lugar da parada britânica de singles sendo vendida apenas no formato online. É isso mesmo: apenas downloads.




O Gnarls Barkley (ô nomezinho!) é uma dupla e aqui o comparsa de Mouse é o rapper Cee-lo. O som é uma recomendada mistureba de black music e eletrônica. O primeiro disco, 'St. Elsewhere', sai em maio.

Mouse começou a ganhar destaque mundial em 2004, de carona na cultura dos mash-ups - aquela onda de juntar duas músicas aparentemente sem conexão alguma e criar uma terceira, como Stooges e Salt 'n' Pepa, por exemplo. O filho bastardo de Burton não poderia ser mais inusitado: 'Grey album'. Um disco inteiro com vocais do rapper Jay-Z (tirados do disco 'Black album') misturados aos arranjos e melodias dos Beatles (tirados do disco 'White album'). Genial.



Baixado aos milhares por dia, o disco, obviamente, foi caçado até a morte pela EMI, dona dos direitos das músicas dos Beatles. Depois do estouro, foi produzir o bom segundo disco do Gorillaz e entrou num projeto com outro rapper, MF Doom, saindo daí o disco 'Dangerdoom'.

Agora o moço deixa o rap e a black music um pouco de lado e entra num mundo mais rock. Vai capitanear o estúdio durante a gravação do aguardado segundo disco do Rapture, os donos do megahit 'House of jealous lovers'. E também produzir o álbum solo de Damon Albarn, vocal do Blur e do Gorillaz. De fato Mr. Mouse está com a faca e o queijo na mão.

Escrito por Daniel Tambarotti
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03.04.06


DOWNLOAD NELES!

Todos aqui já devem saber que este blog é um entusiasta do MP3, assim como 98% dos humanos normais, que se recusam a pagar R$ 40 num CD.

E a internet, apesar de lar para hackers, adolescentes mal-educados e fãs sem argumentos, também abriga gente de bom coração. Como os que usam o seu parco tempo livre em nome da bondade virtual e da qualidade da CDteca alheia.



Falo aqui dos que criam e mantêm blogs de MP3, aqueles cujos posts não são falatórios aleatórios, diários teen ou rascunhos de pretensos escritores. O assunto em pauta é sempre baixar discos, caixas, shows, DJ sets. Todos prontos para transferência, na íntegra, à espera do seu clique.

Navegando aqui e acolá, esbarrei com o SickMix. Com o perfil eletrônico-pop, vai de Fatboy Slim a Carl Craig, passando pelos sets do WMC 2006 e pela revelação The Knife. É um dos MP3 blogs mais legais e antenados. É só felicidade. Download neles!


Escrito por Daniel Tambarotti
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31.03.06

RETORNOS, RETORNOS E RETORNOS

Prince está definitivamente de volta. '3121', disco novo do rapaz, estreou no topo da parada da Billboard, desbancando a trilha de 'High school musical', da Disney. Este retorno em grande forma ao número um do maior mercado do mundo já havia se anunciado há dois anos, quando do lançamento de 'Musicology', que chegou a número três da mesma parada e teve também uma ótima repercussão entre a crítica especializada.


Prince: o bigodinho está com tudo

Quem está de novo entre nós, sob olhares de todos os lados, é o Yeah Yeah Yeahs. O álbum novo se chama 'Show your bones'.

Ouça e leia aqui um faixa-a-faixa com a própria banda para a rádio inglesa XFM.

Na nova empreitada, encontramos a vocalista Karen O. menos gritalhona e mais melódica, assim como em 'Maps', o estouro mundial do disco anterior.

Já o Blur ainda não lançou nada novo, mas as coisas andam movimentadas. Segundo disse o baixista Alex James, o novo material da banda é 'sujo, safado, sacana'. Mesmo com o sucesso do vocalista Damon Albarn no Gorillaz, o músico garante que o trio (o guitarrista Graham Coxon é MESMO coisa do passado) anda trabalhando com muita dedicação.


Escrito por Daniel Tambarotti
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29.03.06

É COISA DA IDADE

Só pode ser o peso dos anos nas costas. É a única explicação para o que acontece com os rockstars de hoje. Aconteceu com o Bono: depois que largou o mullet característico dos anos 80, resolveu querer salvar o mundo junto com o Kofi Anan.

Aconteceu também com Thom Yorke - o 'Creep' dos anos 90 virou um engajado-deprimido nos 2000 e agora faz shows beneficentes contra a emissão de gases poluentes. É... menos mala que o Bono, de fato. Mas ainda assim é mala.

E que coisa mais antiquada essa mania de achar que o roquenrol resolve os problemas do mundo.



Como se não bastasse, agora é o Morrissey (esse aí em cima) que entra no clube. O ex-vocalista dos Smiths resolveu cancelar todas as datas da turnê do disco novo que faria no Canadá em protesto contra a liberação da caça de focas, que ocorre no país com o apoio do governo. Irritado, Moz escreveu um depoimento no qual explica a decisão.

Disse ele: 'Sei que o cancelamento dessas datas não vai afetar a economia canadense, mas esse é o nosso pequeno protesto contra essa matança'. E continua, acusando o governo canadense de mentiroso e afirmando que tudo não passa de ganância, que o objetivo final dessa caça é a indústria da moda.

Acorda, seu Morrissey! Ninguém aqui é a favor de matança nenhuma, mas e os fãs que ficaram na mão, o que eles têm a ver com isso? São eles ou as focas que compram os seus CDs e vão a seus shows? Eu hein!

E tem mais uma coisa. Pamela Anderson acaba de aderir à campanha contra 'a caça das focas do Canadá'. É mais um sinal: deve ter algo de muito errado quando você e a Pamela Anderson estão protestando contra a mesma coisa.



Escrito por Daniel Tambarotti
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28.03.06


NÃO VÁ SE PERDER POR AÍ

Saiu, enfim, a escalação oficial da edição 2006 do Skol Beats, que acontece no dia 13 de maio, em São Paulo. Para esta sétima edição, a produção resolveu caprichar na escalação e o nível está bem melhor que o do ano passado. Faltam ainda os artistas do Trio Elétrico, novidade do ano passado que juntava nomes da eletrônica com personagens do pop nacional.

As novidades ficam por conta da inclusão de uma tenda, com o selo de qualidade do núcleo de festas Tribe, exclusivamente dedicada ao psy-trance (trance psicodélico), vertente mais popular da música eletrônica no Brasil; da tenda de drum 'n' bass, que agora leva o nome da entidade DJ Marky (DJ Marky and friends); e da tenda da importante revista DJ Mag. O evento esse ano espera arrastar 60 mil pessoas ao Anhembi.


Superstar: Marky vira nome de tenda


Diante da quantidade de atrações e um horário bastante elástico (vai das 14h do sábado às 9h do domingo), este humilde blog seleciona para você as bandas e os DJs que vão fazer valer o seu ingresso. Procure os nomes em negrito. Um detalhe: fiquem ligados no relógio para não se perderem nos horários das atrações. Bons beats!


SKOL LIVE STAGE (Palco principal)
16h30 às 17h30 - Drumagick (live PA)
17h30 às 18h30 - Renato Ratier
18h30 às 19h15 - Julio Torres (live PA)
19h15 às 20h - Gui Boratto (live PA)
20h às 21h00 - The Bays (Inglaterra - live)
21h às 21h30 - Bungle
21h30 às 22h30 - DJ Patife & Bocato Brazilian All-Stars, com o MC Cleveland Watkiss (live)
22h30 às 23h15 - Gil Barbara
23h15 à 0h15 - LCD Soundsystem (EUA - live)
0h15 à 1h - Vitor Lima
1h às 2h30 - Prodigy (Inglaterra - live)
2h30 às 3h30 - Renato Lopes
3h30 às 4h30 - Spitifire (Argentina - live)
4h30 às 6h - Plump DJs (Inglaterra)
6h às 7h - Renato Cohen (live PA)
7h às 9h - Anderson Noise & Mau Mau

TENDA THE END (Techno e electro)
16h às 17h - Techjun
17h às 18h - Hopper
18h às 19h - Gu
19h às 20h - Aninha
20h às 21h30 - Loco Dice (Alemanha)
21h30 às 23h30 - Tiga (Canadá)
23h30 à 0h30 - Fabricio Peçanha
0h30 às 2h30 - Timo Maas (Alemanha)
2h30 às 5h30 - Svën Vath (Alemanha)
5h30 às 7h - Misstress Barbara (Itália)
7h às 8h - Murphy

TENDA DJ MAG (Progressive house e trance)
16h às 17h - DJ Mora
17h às 18h - Leo B
18h às 19h - Paulinho Boghosian
19h às 20h - Mario Fischetti
20h às 22h - Martin Solveig (França)
22h às 23h30 - Gabo
23h30 à 1h30 - Steve Angello (Suécia)
1h30 às 3h - Carlo Dall'Anese
3h às 5h - Gabriel & Dresden (EUA)
5h às 7h - Armin Van Buuren (Holanda)
7h às 8h - Roger Lyra

TENDA DJ MARKY AND FRIENDS (Drum 'n' bass)
16h às 17h30 - Roots
17h30 às 19h30 - César Peralta & Beto Dogface
19h30 às 21h - Bad Boy Orange (Argentina)
21h às 23h - Makoto
23h à 1h - DJ Marky
1h às 3h - DJ Hype (Inglaterra)
3h às 5h - Andy C (Inglaterra)
5h às 6h30 - DJ Andy
6h30 às 8h - DJ Marky & Patife
MCs: Eksman, Stamina, Dynamite e Lucky

PALCO TRIBE (Psy-trance)
20h30 às 21h30 - Pedra Branca
21h30 às 22h30 - D-Nox & Beckers (Alemanha - live)
22h30 às 23h30 - Rafael Dahan
23h30 à 0h30 - Rica Amaral
0h30 à 1h30 - Rodrigo Leal
1h30 às 2h30 - Lívia
2h30 às 3h30 - Dimitri Nakov (Inglaterra)
3h30 às 4h30 - Marcello VOR
4h30 às 5h30 - Wrecked Machines (live)
5h30 às 6h30 - Du Serena
6h30 às 7h30 - Astrix (Israel - live)

Escrito por Daniel Tambarotti
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27.03.06


É HORA DOS LÁBIOS FLAMEJANTES!

Depois dos ótimos shows no Brasil no fim do ano passado, dentro do festival Claro que é Rock!, o Flaming Lips volta à cena com um disco novinho em folha: 'At war with the mystics'.

E o álbum está na rede, na íntegra, prontinho para ser escutado, no site do semanário New Musical Express. O site pede um cadastro, que é bem simples. O disco só sai lá fora no mês que vem.



Este blog infelizmente ainda não conseguiu conferir o CD, mas a julgar pelos trabalhos mais recentes do grupo, 'The soft bulletin' e 'Yoshimi battles the pink robots', ambos excelentes, é impossível 'At war' decepcionar.


Foto: J. Michelle Martin

Escrito por Daniel Tambarotti
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24.03.06


SURFE NO CONCRETO

Então já estão se esgotando os ingressos para os shows do Jack Johnson no Brasil. Em São Paulo, só se compram entradas inteiras agora. É um fenômeno esse rapaz, não? Com aquele sonzinho surfístico-acústico e uma musiquinha na novela veio chegando, veio chegando e agora arrasta milhares, de doidões zen da Prainha a boyzinhos da Vila Olímpia.

Tudo muito bacana, tudo muito legal. Mas uma dúvida me atormenta. No Rio, Johnson vai tocar na Praça da Apoteose. Em São Paulo, na arena do Anhembi. Ambos os lugares ficam em regiões centrais, cercados de concreto, trânsito e paisagens desagradáveis.

Sem falar que em arenas abertas assim, temos aquela velha história de som ruim, mal equalizado, bla bla blá. Ou seja, tudo exatamente oposto ao que o som do rapaz é: praiano, relax, intimista, clima de luau.

Perguntinha pra pensar: diante de tal cenário, esses shows estão com cara de remédio pra insônia, não?


Escrito por Daniel Tambarotti
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22.03.06

A SALVAÇÃO DO POP

Para início de conversa, por pop aqui entendam Britneys e Aguilleras da vida, e somente isso.

Pois então. A salvação desse pop é cada vez mais abraçar elementos do hip-hop. Não letras ou atitude, mas a produção, as batidas, as texturas. Este blog é um entusiasta desta dobradinha, muito influenciado pelo que Pharrell Williams fez com Britney Spears desde 'Slave for you'.


DJ Premier dá um trato na Christina Aguillera


Quem entra na dança agora é Christina Aguilera. 'Back to basics', disco novo da moçoila, tem cinco faixas produzidas pelo DJ Premier, que já trabalhou com Jay-Z, Nas e KRS-One. Ela quis trazer o 'clima jazz dos anos 40' que tinha ouvido em trabalhos do Gang Starr, do início dos anos 90.

Outra parceria bacana e bem lucrativa é Pharrell Williams e Gwen Stefani. Quem não ouviu o pancadão de 'Hollaback girl' nos últimos meses ou é surdo ou estava curtindo as férias em algum outro planeta imperdível. Existem outros exemplos, como Scott Storch que, depois de Roots e Dr. Dre, emprestou sua sabedoria de estúdio para músicas de Justin Timberlake e Beyoncé.

Não à toa, todos os personagens do mundo pop que foram manipulados pelos produtores de hip-hop deram um upgrade na carreira. É a combinação de dois fatores: sai a chatice do falatório dos rappers, mas mantém-se o groove do ritmo, aliado à imagem sexy fabricada das musas teen. Não tem mesmo como dar errado.


Escrito por Daniel Tambarotti
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21.03.06

JÁ VAI TARDE

O Limp Bizkit já era. Quem diz é o próprio guitarrista Wes Borland ao site da MTV americana. 'Estamos oficialmente num hiato, talvez já acabados. Ninguém tocou no assunto, mas todos estamos ligados a outros assuntos, sem tempo para o Limp'. O próprio Borland está 100% dedicado à sua nova banda: Black Light Burns


Beijinho, beijinho, tchau, tchau!

Ninguém vai sentir falta. O Bizkit foi um dos mais desnecessários fenômenos rock já surgidos nos EUA, apesar de ter sido também o nome mais rentável do nu-metal, aquela vertente do heavy metal que coloca vocais rap entre as guitarras pesadas/ distorcidas e usa um baixo mais grave que o habitual por conta da afinação um tom abaixo.

Vale lembrar que dois pilares do 'estilo' são os (muito bons) discos 'Angel dust', do Faith No More, e 'Roots', do Sepultura. Logo depois veio o Korn (os três primeiros são dignos) e, em seguida, todos os filhotes bastardos, Limp Bizkit e Linkin' Park entre eles.


Durst comanda o circo


À frente do som tinha Fred Durst, o vocalista. Um show à parte, com todas aquelas letras sexistas, pose de machão briguento e brados infantis contra o 'sistema'. Um adolescente velho, no fim das contas.

Pensando muito friamente, começo a mudar minha opinião sobre o fim do grupo. Acho que é melhor eles não acabarem. Juntos eles são um artista só. Separados, vão ser cinco filhotinhos a maltratar nossas vidas em outras bandas e projetos. Help!


Escrito por Daniel Tambarotti
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20.03.06


A ARMAÇÃO DA VEZ

Lembram do Crazy Frog, aquele sapo maldito que era para ser apenas um ringtone, mas dominou as paradas européias e não deixou o Coldplay chegar ao número um com 'X & Y'? Pois então. Quando pensávamos que nada pior podia acontecer...

Eis que surge Chico, a praga da estação. O rapaz é assim, digamos, um Ricky Martin de segunda que daria um dedo para ser o Tom Jones. A música 'It's Chico time', a responsável por tirar Madonna do topo, é cheia de metais de ataque (à la 'Livin' la vida loca'), uma voz meio rouca metida a sexy e muita pose de engraçadinha.

Chico é cria do programa da TV britânica 'X-factor', uma espécie de 'Fama' deles, numa explicação preguiçosa. E é o primeiro artista de origem árabe a chegar ao número um da parada britânica. Para completar o show de bizarrices, nos tempos de pindaíba, o rapaz já foi pastor de cabras (!) e stripper.

E de pensar que essas pragas sazonais são todas forjadas na Inglaterra, o berço mais frutífero da música pop. Essa indústria fonográfica está mesmo precisando de uns bons conselhos.


Escrito por Daniel Tambarotti
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17.03.06

LAURENT É O CARA

Vi Laurent Garnier pela terceira vez ontem à noite. E cheguei à seguinte conclusão: se ele vier dez vezes ao Brasil, espero poder estar presente em todas elas. O moço chegou nas pick-ups de mansinho, sem estardalhaço. Tocou uma meia hora de um som ousado, meio quebrado, pouco dançante, que a pista não absorveu muito bem. Estava claramente criando um clima.



Mas logo Mr. Garnier deu as distorções e as batidas que o povo queria. De house a techno, de breaks a rock (com direito a New Order e Blur). Pancadas retas, quebradas, guitarras, teclados, barulhinhos, vocais. Não tem problema. Laurent brinca com os discos e joga nas onze.



O porém fica por conta de quase metade do público presente não saber muito bem o que estava acontecendo: muitas patricinhas de salto fino e escova e playboy de cordão grosso mostrando os músculos, todos dançando uma 'techneira'.


Fotos: Kadu di Calafiori

Escrito por Daniel Tambarotti
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16.03.06

SKOL BEATS: DIVAGAÇÕES

Por enquanto não há palavra oficial, mas se houver a confirmação dos boatos, a polêmica desta edição do evento já tem nome: DJ Marlboro.

Depois de estabelecer de vez o funk carioca entre a juventude dourada da Zona Sul do Rio após a apresentação no Tim Festival de 2003, e conseguir uma residência quinzenal no Lov.e, clube de hypes e antenados de São Paulo, Marlboro encara agora o público do maior festival de música eletrônica do país.


Marlboro vai encarar um vestibular


O pioneiro do funk carioca vai ter que suar a camisa para se dar bem. Tentar prever o resultado é impossível: tem chance de ser uma apresentação histórica, uma vez que tem muita gente que aposta que o funk, devidamente inspirado pelo Miami Bass, é a legítima música eletrônica brasileira e tem a batida mais empolgante.

Mas a possibilidade de ser um desastre completo não está descartada. É grande ainda o preconceito dos 'descolados' (paulistas e cariocas) com o 'som de preto, de favelado'. Conseguirá Marlboro colocar o funk carioca de vez no mapa musical (eletrônico) brasileiro e arrancar dele o estigma de modinha de verão/ novela das 8?


Escrito por Daniel Tambarotti
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MAIS SKOL BEATS

O Prodigy está confirmado como atração principal do Skol Beats, que acontece no dia 13 de maio.

Ótimo, assim vai ter alguém com punch naquele palco gigantesco, e não aquelas apresentações fracas do ano passado (Faithless, Erick Morillo), quando só Mylo se salvou.


Prodigy: o ex-quarteto ainda tem gás

Tudo bem, tudo bem. O último disco do Prodigy não é lá essas coisas, mas os caras estão de volta à crista da onda graças a 'Their law - the singles 1990-2005', compilação que reúne os grandes êxitos do grupo, que não são poucos. Preparem os moicanos.


Escrito por Daniel Tambarotti
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