29.10.06
MESMO COM PISTA TUMULTUADA, BOOKA SHADE FAZ BONITO
Atração principal do palco eletrônico do Tim Festival na noite deste sábado, os alemães do Booka Shade tinham tudo para entrar no hall das melhores performances desta edição do Tim Festival.
Porém, por conta de uma mancada da produção do evento, o fato não se consumou. Explico: este este ano, o Village, espaço comum de circulação das pessoas presentes à Marina da Glória, se juntou ao palco dedicado à música eletrônica. Ou seja: a pista de dança oficial do evento está no meio da passagem do público.
Apesar de uma performance cheia de energia, era impossível se divertir durante a apresentação da dupla de DJs, tal era o desconforto e calor na pista que virou passagem.
Os alemães tocaram com dois laptops e uma bateria eletrônica, fazendo um batuque ao vivo. O electro-house melódico e com ecos oitentistas fez os corajosos que encararam o show gritar e aplaudir. Entre os destaques do set, uma versão dance para "O Superman", de Laurie Anderson, e o megahit "Body language".
Mesmo com tudo contra, o Booka Shade merece menção honrosa no saldo final da noite. E fica o toque para a produção solucionar esse problema grave no ano que vem.
MESMO COM PISTA TUMULTUADA, BOOKA SHADE FAZ BONITO
Atração principal do palco eletrônico do Tim Festival na noite deste sábado, os alemães do Booka Shade tinham tudo para entrar no hall das melhores performances desta edição do Tim Festival.
Porém, por conta de uma mancada da produção do evento, o fato não se consumou. Explico: este este ano, o Village, espaço comum de circulação das pessoas presentes à Marina da Glória, se juntou ao palco dedicado à música eletrônica. Ou seja: a pista de dança oficial do evento está no meio da passagem do público.
Apesar de uma performance cheia de energia, era impossível se divertir durante a apresentação da dupla de DJs, tal era o desconforto e calor na pista que virou passagem.
Os alemães tocaram com dois laptops e uma bateria eletrônica, fazendo um batuque ao vivo. O electro-house melódico e com ecos oitentistas fez os corajosos que encararam o show gritar e aplaudir. Entre os destaques do set, uma versão dance para "O Superman", de Laurie Anderson, e o megahit "Body language".
Mesmo com tudo contra, o Booka Shade merece menção honrosa no saldo final da noite. E fica o toque para a produção solucionar esse problema grave no ano que vem.
Escrito por Daniel Tambarotti
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28.10.06
DJ SHANTEL PAGA MICO NO MOTOMIX
Imagine a junção do som do Gypsy Kings com a música folclórica do leste europeu sobre uma camada de batidas eletrônicas. É nessa fórmula que se baseia o som do DJ Shantel, que vem causando um burburinho na Europa por conta da festa Bucovina, sob sua batuta.
Esse som cigano eletrônico dos Bálcãs vem angariando fãs, vide a dupla Basement Jaxx estar envolvida numa recente coletânea do estilo. Porém, o que vimos Shantel fazer no primeiro dia do palco Motomix foi uma piada das mais murchas.
O povo tinha acabado de sair do show do Daft Punk quando a apresentação do DJ começou. E foi mais ou menos como sair de um filme do Kubrick e entrar numa sessão de um dos Trapalhões. Não fosse o palco do Motomix uma área de livre circulação de quem está no festival, aposto meu ingresso do DJ Shadow que sua pista teria ficado vazia, vazia.
Sobre o som: as músicas folclóricas podem cair bem durante um set eletrônico por serem diferentes, porque brincam com o inusitado e demonstram bom humor, o que é sempre saudável. Mas aturar duas horas de violões ciganos, sotaque russo e batidas descompassadas só os passantes casuais alterados pelo álcool.
O pior de tudo: Shantel é um fanfarrão. Ele sabe disso e certamente acha cool. Subiu na mesa, falou horas durante as músicas, queria conversar com o público falando um inglês canhestro. Um autêntico clown.
Já que Devendra foi a primeira grande decepção do evento, DJ Shantel foi o primeiro grande mico.
DJ SHANTEL PAGA MICO NO MOTOMIX
Imagine a junção do som do Gypsy Kings com a música folclórica do leste europeu sobre uma camada de batidas eletrônicas. É nessa fórmula que se baseia o som do DJ Shantel, que vem causando um burburinho na Europa por conta da festa Bucovina, sob sua batuta.
Esse som cigano eletrônico dos Bálcãs vem angariando fãs, vide a dupla Basement Jaxx estar envolvida numa recente coletânea do estilo. Porém, o que vimos Shantel fazer no primeiro dia do palco Motomix foi uma piada das mais murchas.
O povo tinha acabado de sair do show do Daft Punk quando a apresentação do DJ começou. E foi mais ou menos como sair de um filme do Kubrick e entrar numa sessão de um dos Trapalhões. Não fosse o palco do Motomix uma área de livre circulação de quem está no festival, aposto meu ingresso do DJ Shadow que sua pista teria ficado vazia, vazia.
Sobre o som: as músicas folclóricas podem cair bem durante um set eletrônico por serem diferentes, porque brincam com o inusitado e demonstram bom humor, o que é sempre saudável. Mas aturar duas horas de violões ciganos, sotaque russo e batidas descompassadas só os passantes casuais alterados pelo álcool.
O pior de tudo: Shantel é um fanfarrão. Ele sabe disso e certamente acha cool. Subiu na mesa, falou horas durante as músicas, queria conversar com o público falando um inglês canhestro. Um autêntico clown.
Já que Devendra foi a primeira grande decepção do evento, DJ Shantel foi o primeiro grande mico.
Escrito por Daniel Tambarotti
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SUPERSTAR DJs
Estou até agora meio boquiaberto com o que o Daft Punk fez ontem no palco do Tim Festival. Histórico.
Escrito por Daniel Tambarotti
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26.10.06
APOSTAS E EXPECTATIVAS
Está chegando a hora! O Tim Festival começa nesta sexta-feira, com mais de 30 atrações: do jazz tradicional ao neo-folk ao indie rock aos beats da eletrônica. E o Grave vai estar lá para conferir tudo (ou quase tudo) de perto.
Para começar o aquecimento, vou listar os shows em que mais aposto e tentar explicar por quê. Vou estabelecer um Termômetro de Expectativa, que vai de 0 (nenhuma) a 10 (muita), para cada atração a que vou assistir. Vamos lá:
DAFT PUNK - É um dos mais aguardados. Depois de nove anos sem fazer turnê, caíram na estrada durante o verão europeu e americano. Foram poucas, mas concorridíssimas apresentações, apesar do terceiro disco, 'Human after all', ser bem caído. Já entra com o jogo ganho e só não faz o melhor show de todo o evento se não quiser. Termômetro de Expectativa: lá no 10.

*
TV ON THE RADIO - É grande a curiosidade para ver como vai para o palco a harmonia torta da banda. É o tipo de show que merece ser apreciado, bem longe daquele grupo de adolescentes histéricos. E é justamente esse lado pouco pop do grupo que pode transformar o show numa experiência cansativa. A gente torce para que não. Cheio de músicas intensas, o grupo vem ao Brasil num ótimo momento da carreira, cheio de moral com a crítica. Termômetro de Expectativa: 7

*
YEAH YEAH YEAHS - Vamos ver o show da turnê de lançamento do segundo disco, 'Show your bones'. Ainda bem. Este é superior ao primeiro, 'Fever to tell'. Karen O. é filha bastarda do punk rock, grita, rola pelo chão, engole microfone e carrega nos ombros toda a responsabilidade de fazer do show do trio um momento memorável. A torcida fica para que a moça não exagere na teatralidade. Termômetro no 8.

*
BOOKA SHADE - Dupla alemã de DJs e produtores que está na crista da onda lá fora, porém completamente desconhecidos por aqui. Dizem que fazem um 'show de rock eletrônico'. Se isso for verdade, os dois podem conseguir driblar o 'obstáculo' do anonimato e botar o povo para dançar. Expectativa grau 6.

*
DJ SHADOW - É gênio dos samples, mestre da técnica nas picapes e dono de um dos discos mais importantes da música pop atual, 'Endtroducing'. Se jogar para a galera, com um show funky e animado, é consagração na certa. Se entrar numa onda de som 'cabeça', vai para o saco. Termômetro de Expectativa: no 10, quase explodindo.

*
BEASTIE BOYS - Estão meio caídos ultimamente: o disco mais recente passou batido, não fez barulho e quase ninguém ouviu. O excesso de engajamento deve estar atrapalhando os ex-moleques e agora quarentões. Porém, merecem crédito pelo passado glorioso. E já disseram por aí que vão dar preferência aos grandes hits, afinal estão num festival. Grau 7 para eles no Termômetro.

APOSTAS E EXPECTATIVAS
Está chegando a hora! O Tim Festival começa nesta sexta-feira, com mais de 30 atrações: do jazz tradicional ao neo-folk ao indie rock aos beats da eletrônica. E o Grave vai estar lá para conferir tudo (ou quase tudo) de perto.
Para começar o aquecimento, vou listar os shows em que mais aposto e tentar explicar por quê. Vou estabelecer um Termômetro de Expectativa, que vai de 0 (nenhuma) a 10 (muita), para cada atração a que vou assistir. Vamos lá:
DAFT PUNK - É um dos mais aguardados. Depois de nove anos sem fazer turnê, caíram na estrada durante o verão europeu e americano. Foram poucas, mas concorridíssimas apresentações, apesar do terceiro disco, 'Human after all', ser bem caído. Já entra com o jogo ganho e só não faz o melhor show de todo o evento se não quiser. Termômetro de Expectativa: lá no 10.

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TV ON THE RADIO - É grande a curiosidade para ver como vai para o palco a harmonia torta da banda. É o tipo de show que merece ser apreciado, bem longe daquele grupo de adolescentes histéricos. E é justamente esse lado pouco pop do grupo que pode transformar o show numa experiência cansativa. A gente torce para que não. Cheio de músicas intensas, o grupo vem ao Brasil num ótimo momento da carreira, cheio de moral com a crítica. Termômetro de Expectativa: 7

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YEAH YEAH YEAHS - Vamos ver o show da turnê de lançamento do segundo disco, 'Show your bones'. Ainda bem. Este é superior ao primeiro, 'Fever to tell'. Karen O. é filha bastarda do punk rock, grita, rola pelo chão, engole microfone e carrega nos ombros toda a responsabilidade de fazer do show do trio um momento memorável. A torcida fica para que a moça não exagere na teatralidade. Termômetro no 8.

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BOOKA SHADE - Dupla alemã de DJs e produtores que está na crista da onda lá fora, porém completamente desconhecidos por aqui. Dizem que fazem um 'show de rock eletrônico'. Se isso for verdade, os dois podem conseguir driblar o 'obstáculo' do anonimato e botar o povo para dançar. Expectativa grau 6.

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DJ SHADOW - É gênio dos samples, mestre da técnica nas picapes e dono de um dos discos mais importantes da música pop atual, 'Endtroducing'. Se jogar para a galera, com um show funky e animado, é consagração na certa. Se entrar numa onda de som 'cabeça', vai para o saco. Termômetro de Expectativa: no 10, quase explodindo.

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BEASTIE BOYS - Estão meio caídos ultimamente: o disco mais recente passou batido, não fez barulho e quase ninguém ouviu. O excesso de engajamento deve estar atrapalhando os ex-moleques e agora quarentões. Porém, merecem crédito pelo passado glorioso. E já disseram por aí que vão dar preferência aos grandes hits, afinal estão num festival. Grau 7 para eles no Termômetro.

Escrito por Daniel Tambarotti
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25.10.06
QUEM PODE, PODE
Contrariando a regra, ter ficado cinco anos - de 2001 a 2006 - na geladeira por conta de problemas contratuais com a gravadora fez muito bem ao Stanton Warriors. Depois da reclusão forçada, Dominic B e Mark Yardley voltaram à superfície dos breakbeats com vontade.
Enquanto tentavam driblar os entraves burocráticos, lançaram uns singles esparsos, pouquíssimas cópias, todos white label, ou seja, sem vínculos com quaisquer gravadoras ou distribuidoras.
Em abril deste ano, após todos os obstáculos superados, chegou às lojas "Stanton Sessions 2". Duplo, o álbum traz um disco só de produções próprias e/ou remixes, e o outro carrega um animado DJ set da dupla. Pronto, estavam na pauta do dia novamente.

E agora, menos de seis meses depois do disco anterior, acaba de sair lá fora, produzido e mixado pela dupla, o volume 30 da respeitada série "FabricLive", vinculada ao megaclube londrino Fabric.
O álbum tem 16 faixas e vários tiros certeiros na escolha do repertório: muitas versões inéditas e remixes estalando de novos. É possível dizer que o CD é dividido em duas partes. A primeira traz um Stanton Warriors mais funky e alegre. Eles começam bem old school, com citações a Afrika Bambaataa logo na primeira faixa, "Planet sonic", de Kerri Chandler.
Ainda na primeira metade, um remix pancadão para "Mandarine girl", do Booka Shade, e uma versão sen-sa-cio-nal para "Who's afraid of Detroit", hit da revelação da house Claude VonStroke, mostram que Mark e Dominic estão bem ligados na movimentação dos novos nomes da eletrônica.
Do meio para o fim, as coisas começam a ficar mais claustrofóbicas. "Tricky", do duo Chase and Status, traz as primeiras melodias pesadas e samples de vocais à filmes de terror. "Dip & get low", da safra nova do SW, ganhou um remix racha-assoalho e é o primeiro single, já rodando aos montes no YouTube e rádios gringas. A pitada final fica com uma volta a sonoridades passadas: "Shake that ass, bitch", do Splack Pack, parece feita no Bronx em 82.
É papo de melhores do ano, senhores, lá no pódio.
QUEM PODE, PODE
Contrariando a regra, ter ficado cinco anos - de 2001 a 2006 - na geladeira por conta de problemas contratuais com a gravadora fez muito bem ao Stanton Warriors. Depois da reclusão forçada, Dominic B e Mark Yardley voltaram à superfície dos breakbeats com vontade.
Enquanto tentavam driblar os entraves burocráticos, lançaram uns singles esparsos, pouquíssimas cópias, todos white label, ou seja, sem vínculos com quaisquer gravadoras ou distribuidoras.
Em abril deste ano, após todos os obstáculos superados, chegou às lojas "Stanton Sessions 2". Duplo, o álbum traz um disco só de produções próprias e/ou remixes, e o outro carrega um animado DJ set da dupla. Pronto, estavam na pauta do dia novamente.

E agora, menos de seis meses depois do disco anterior, acaba de sair lá fora, produzido e mixado pela dupla, o volume 30 da respeitada série "FabricLive", vinculada ao megaclube londrino Fabric.
O álbum tem 16 faixas e vários tiros certeiros na escolha do repertório: muitas versões inéditas e remixes estalando de novos. É possível dizer que o CD é dividido em duas partes. A primeira traz um Stanton Warriors mais funky e alegre. Eles começam bem old school, com citações a Afrika Bambaataa logo na primeira faixa, "Planet sonic", de Kerri Chandler.
Ainda na primeira metade, um remix pancadão para "Mandarine girl", do Booka Shade, e uma versão sen-sa-cio-nal para "Who's afraid of Detroit", hit da revelação da house Claude VonStroke, mostram que Mark e Dominic estão bem ligados na movimentação dos novos nomes da eletrônica.
Do meio para o fim, as coisas começam a ficar mais claustrofóbicas. "Tricky", do duo Chase and Status, traz as primeiras melodias pesadas e samples de vocais à filmes de terror. "Dip & get low", da safra nova do SW, ganhou um remix racha-assoalho e é o primeiro single, já rodando aos montes no YouTube e rádios gringas. A pitada final fica com uma volta a sonoridades passadas: "Shake that ass, bitch", do Splack Pack, parece feita no Bronx em 82.
É papo de melhores do ano, senhores, lá no pódio.
Escrito por Daniel Tambarotti
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23.10.06
O FENÔMENO DE NOVO
Depois do estouro colossal de 'Crazy' e da ótima receptividade a 'Smiley faces', está na área o vídeo novo do Gnarls Barkley.

A dupla Danger Mouse e o rapper/cantor Cee-Lo caprichou no vídeo de 'Who cares', o terceiro single a ser tirado do álbum 'St. Elsewhere'.
O clipe prima pelo bom humor e tem como principal personagem um vampiro descolado, mas sem muita paciência para as convenções do dia-a-dia. Falar mais é bobagem. Clica aqui e vai assistir!
O FENÔMENO DE NOVO
Depois do estouro colossal de 'Crazy' e da ótima receptividade a 'Smiley faces', está na área o vídeo novo do Gnarls Barkley.

A dupla Danger Mouse e o rapper/cantor Cee-Lo caprichou no vídeo de 'Who cares', o terceiro single a ser tirado do álbum 'St. Elsewhere'.
O clipe prima pelo bom humor e tem como principal personagem um vampiro descolado, mas sem muita paciência para as convenções do dia-a-dia. Falar mais é bobagem. Clica aqui e vai assistir!
Escrito por Daniel Tambarotti
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19.10.06
DJ SHADOW QUER O SEU VÍDEO
O mestre das picapes, que toca no Tim Festival no fim de outubro, está convocando os fãs para fazer o vídeo da música 'This time'. O melhor vai ser lançado como o clipe oficial da faixa e o vencedor vai levar um cheque de mil libras.

É o próprio Shadow quem vai escolher o vencedor e sai na frente os que tiverem um clima dark e originalidade, claro. Vale tudo: de animações a vídeos caseiros, de superproduções de fundo de quintal a montagens bizarras.
Os interessados têm até amanhã para mandar a obra para o site www.djshadowvideo.com.
DJ SHADOW QUER O SEU VÍDEO
O mestre das picapes, que toca no Tim Festival no fim de outubro, está convocando os fãs para fazer o vídeo da música 'This time'. O melhor vai ser lançado como o clipe oficial da faixa e o vencedor vai levar um cheque de mil libras.

É o próprio Shadow quem vai escolher o vencedor e sai na frente os que tiverem um clima dark e originalidade, claro. Vale tudo: de animações a vídeos caseiros, de superproduções de fundo de quintal a montagens bizarras.
Os interessados têm até amanhã para mandar a obra para o site www.djshadowvideo.com.
Escrito por Daniel Tambarotti
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18.10.06
ACARAJÉBOY SLIM
Eu já devia ter desconfiado que o Fatboy Slim é um tremendo farofeiro depois daquele show na praia do Flamengo, Rio, há uns anos. Relevei na época. 'É coisa do momento', pensei. Mas a camisa da seleção, os goles na caipirinha e as batidas do samba misturadas às da house comprometeram o evento.
Logo depois veio a martelada final: o DJ britânico tocou no carnaval da Bahia do ano passado. Aí não tem boa vontade que ajude. Já era, foi para o saco. Mas a farra foi boa, pois Mr. Norman Cook está na área de novo: o moço vai ser estrela do carnaval de Porto Seguro do ano que vem ao lado de Timbalada, Ara Ketu e congêneres.

Big weekend pra quem, cara pálida?
Será que ele está a fim de transformar a Bahia na nova Ibiza? Hum... Nao sei, seria tarefa das mais árduas... Os fatos são:
1) Ele encarna o provavelmente mais batido clichê ever: o gringo babaca que vem participar dos ritos tribais da plebe do terceiro mundo e acha que está abafando. Se apropria dos mais surrados elementos da nossa cultura (alguém aí falou em samba? caipirinha? biquínis?) para tentar provar que não é um turista acidental. E, entre mortos e feridos, só paga mico.
2) Enquanto ele samba aqui, os discos e remixes dele lá fora causam cada vez menos impacto, cada vez menos criativos, cada vez menos relevantes.

Se enxerga, Norman Cook!
No fim das contas, soa o alarme. E se a moda pega? Se Deus quiser, não vai. Fatboy não vai querer encerrar a carreira sendo o culpado por matar a música eletrônica com os ritmos do axé.
O que quer que seja, é fanfarronice demais para mim. Chega. Mas sem nenhum juízo de valor, que fique registrado. Que sejam todos felizes, que Cook encha o bolso de verdinhas, coma muito acarajé, tenha disenteria das brabas e nos deixe em paz.
ACARAJÉBOY SLIM
Eu já devia ter desconfiado que o Fatboy Slim é um tremendo farofeiro depois daquele show na praia do Flamengo, Rio, há uns anos. Relevei na época. 'É coisa do momento', pensei. Mas a camisa da seleção, os goles na caipirinha e as batidas do samba misturadas às da house comprometeram o evento.
Logo depois veio a martelada final: o DJ britânico tocou no carnaval da Bahia do ano passado. Aí não tem boa vontade que ajude. Já era, foi para o saco. Mas a farra foi boa, pois Mr. Norman Cook está na área de novo: o moço vai ser estrela do carnaval de Porto Seguro do ano que vem ao lado de Timbalada, Ara Ketu e congêneres.

Big weekend pra quem, cara pálida?
Será que ele está a fim de transformar a Bahia na nova Ibiza? Hum... Nao sei, seria tarefa das mais árduas... Os fatos são:
1) Ele encarna o provavelmente mais batido clichê ever: o gringo babaca que vem participar dos ritos tribais da plebe do terceiro mundo e acha que está abafando. Se apropria dos mais surrados elementos da nossa cultura (alguém aí falou em samba? caipirinha? biquínis?) para tentar provar que não é um turista acidental. E, entre mortos e feridos, só paga mico.
2) Enquanto ele samba aqui, os discos e remixes dele lá fora causam cada vez menos impacto, cada vez menos criativos, cada vez menos relevantes.

Se enxerga, Norman Cook!
No fim das contas, soa o alarme. E se a moda pega? Se Deus quiser, não vai. Fatboy não vai querer encerrar a carreira sendo o culpado por matar a música eletrônica com os ritmos do axé.
O que quer que seja, é fanfarronice demais para mim. Chega. Mas sem nenhum juízo de valor, que fique registrado. Que sejam todos felizes, que Cook encha o bolso de verdinhas, coma muito acarajé, tenha disenteria das brabas e nos deixe em paz.
Escrito por Daniel Tambarotti
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17.10.06
GRAVADORA DFA LANÇA SEGUNDO CAPÍTULO DE SEUS REMIXES
O clã DFA, capitaneado por James Murphy e Tim Goldsworthy, faz o som que domina as cabeças e players mais antenados (no melhor dos sentidos) desde mais ou menos o fim de 2002. A dupla conseguiu juntar na mesma pista guitarras e beats num híbrido que passa longe da boba, velha e desnecessária briga "rock x eletrônica".
Além de celeiro de bandas badaladas - Rapture e LCD Soundsystem entre elas - a gravadora nova-iorquina ainda oferece um leque generoso de remixes feitos para artistas no mínimo díspares entre si.
Depois do sucesso de 'The DFA remixes - Chapter 1', acaba de sair na gringolândia o volume dois do álbum que, como o anterior, traz versões escolhidas a dedo feitas por Murphy (de branco, na foto) e Goldsworthy. Para quem gosta, é só felicidade: estão lá os baixos inquietos, as batidas secas e a sonoridade crua.
A ousadia da dupla pode ser comprovada na versão de "The hand that feeds", do Nine Inch Nails. O nervosinho Trent Reznor foi domado pelo groove da dupla, que fez da música tenebrosa um hit de pista. Já o remix de "Colours", do grupo Hot Chip (outro também bastante afeito às mutações rock/dance) é um dos melhores do pacote e ironicamente o menos dançante.
'She wants to move', do projeto de hip-hop NERD, ganhou uma aura funky que faltava à original, e "Destination overdrive", do Chromeo, ficou suja e barulhenta, se tornando a mais 'rock' do disco.
O único problema de Murphy e Goldsworthy é não saber quando as faixas devem acabar. As repetições dos loops beiram o insuportável, indo muito além do tempo extra que DJs precisam para mixar uma música na outra durante um set. Convenhamos: mais de 70 minutos para apenas oito faixas é extrapolar a paciência do ouvinte.
GRAVADORA DFA LANÇA SEGUNDO CAPÍTULO DE SEUS REMIXES
O clã DFA, capitaneado por James Murphy e Tim Goldsworthy, faz o som que domina as cabeças e players mais antenados (no melhor dos sentidos) desde mais ou menos o fim de 2002. A dupla conseguiu juntar na mesma pista guitarras e beats num híbrido que passa longe da boba, velha e desnecessária briga "rock x eletrônica".
Além de celeiro de bandas badaladas - Rapture e LCD Soundsystem entre elas - a gravadora nova-iorquina ainda oferece um leque generoso de remixes feitos para artistas no mínimo díspares entre si.Depois do sucesso de 'The DFA remixes - Chapter 1', acaba de sair na gringolândia o volume dois do álbum que, como o anterior, traz versões escolhidas a dedo feitas por Murphy (de branco, na foto) e Goldsworthy. Para quem gosta, é só felicidade: estão lá os baixos inquietos, as batidas secas e a sonoridade crua.
A ousadia da dupla pode ser comprovada na versão de "The hand that feeds", do Nine Inch Nails. O nervosinho Trent Reznor foi domado pelo groove da dupla, que fez da música tenebrosa um hit de pista. Já o remix de "Colours", do grupo Hot Chip (outro também bastante afeito às mutações rock/dance) é um dos melhores do pacote e ironicamente o menos dançante.
'She wants to move', do projeto de hip-hop NERD, ganhou uma aura funky que faltava à original, e "Destination overdrive", do Chromeo, ficou suja e barulhenta, se tornando a mais 'rock' do disco.
O único problema de Murphy e Goldsworthy é não saber quando as faixas devem acabar. As repetições dos loops beiram o insuportável, indo muito além do tempo extra que DJs precisam para mixar uma música na outra durante um set. Convenhamos: mais de 70 minutos para apenas oito faixas é extrapolar a paciência do ouvinte.
Escrito por Daniel Tambarotti
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10.10.06
BALADAS ENFRAQUECEM NOVO DISCO DE JUSTIN TIMBERLAKE
Justin Timberlake é, como Britney e Aguillera, da geração boy band que soube se cercar das pessoas certas assim que essa praga passou.
O primeiro disco solo promoveu uma virada completa na carreira do rapaz: sai a baba adolescente do N' Sync e entra a black music futurista de 'Justified', disco capaz de ter feito Michael Jackson abrir mão de um de seus garotos para ter sido o autor. O álbum foi produzido por Pharrell Williams e Chad Hugo, os incensadíssimos Neptunes.
Depois do estouro mundial, eis que agora chega às lojas o segundo CD, "FutureSex/LoveSounds", produzido por, entre outros, Timbaland, outro midas do hip hop, responsável por moldar o som da parruda Missy Elliott.

Mas então, o som corresponde ao título pretensioso? É melhor que o primeiro? Para as duas perguntas, a resposta é não. O que está longe de dizer que seja ruim: é apenas irregular.
Sendo curto e grosso, Justin acerta em cheio quando aposta nas pedradas dançantes, como o primeiro single e hit absoluto "Sexy back". Percebe-se nesses casos alguns elementos e timbres nascidos com a galera da gravadora DFA, o som hype de uns três anos para cá.
As escorregadas - feias - estão nas baladas. A faixa "(Another song) All over again" é chaaaaata que dói. Definitivamente, essa postura Marvin Gaye - "Olha como sou sedutor" - não cai bem em JT, ele só consegue ficar meloso. Deixa isso com o Maxwell que ele faz melhor.
E por que ouvir? Por duas razões:
1) Justin e comparsas (pode jogar uma Beyoncé aí no meio também), descontadas as bolas na trave, fazem a música pop mais inovadora do pedaço, a que bebe no passado black para caminhar para frente, e não tem medo de assumir que é puro entertainment e de encher o bolso de verdinhas.
2) Timberlake é peça-chave. Sejamos sinceros: o mercado respira aliviado por ter um artista que canta como negro mas é branco, tem cara de bom-moço e não adota o discurso "bitches and money" dos rappers atuais. Afinal, é importante não chocar a classe média branca americana, consumidora voraz e sabidamente preconceituosa.
BALADAS ENFRAQUECEM NOVO DISCO DE JUSTIN TIMBERLAKE
Justin Timberlake é, como Britney e Aguillera, da geração boy band que soube se cercar das pessoas certas assim que essa praga passou.
O primeiro disco solo promoveu uma virada completa na carreira do rapaz: sai a baba adolescente do N' Sync e entra a black music futurista de 'Justified', disco capaz de ter feito Michael Jackson abrir mão de um de seus garotos para ter sido o autor. O álbum foi produzido por Pharrell Williams e Chad Hugo, os incensadíssimos Neptunes.
Depois do estouro mundial, eis que agora chega às lojas o segundo CD, "FutureSex/LoveSounds", produzido por, entre outros, Timbaland, outro midas do hip hop, responsável por moldar o som da parruda Missy Elliott.

Mas então, o som corresponde ao título pretensioso? É melhor que o primeiro? Para as duas perguntas, a resposta é não. O que está longe de dizer que seja ruim: é apenas irregular.
Sendo curto e grosso, Justin acerta em cheio quando aposta nas pedradas dançantes, como o primeiro single e hit absoluto "Sexy back". Percebe-se nesses casos alguns elementos e timbres nascidos com a galera da gravadora DFA, o som hype de uns três anos para cá.
As escorregadas - feias - estão nas baladas. A faixa "(Another song) All over again" é chaaaaata que dói. Definitivamente, essa postura Marvin Gaye - "Olha como sou sedutor" - não cai bem em JT, ele só consegue ficar meloso. Deixa isso com o Maxwell que ele faz melhor.
E por que ouvir? Por duas razões:
1) Justin e comparsas (pode jogar uma Beyoncé aí no meio também), descontadas as bolas na trave, fazem a música pop mais inovadora do pedaço, a que bebe no passado black para caminhar para frente, e não tem medo de assumir que é puro entertainment e de encher o bolso de verdinhas.
2) Timberlake é peça-chave. Sejamos sinceros: o mercado respira aliviado por ter um artista que canta como negro mas é branco, tem cara de bom-moço e não adota o discurso "bitches and money" dos rappers atuais. Afinal, é importante não chocar a classe média branca americana, consumidora voraz e sabidamente preconceituosa.
Escrito por Daniel Tambarotti
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09.10.06
BOOKA SHADE NÃO TEM MEDO DO BRASIL E ANUNCIA VOLTA EM 2007
O nome é estranho, eles são quase 100% desconhecidos aqui e pisam no país pela primeira vez. Porém, todas essas adversidades parecem não botar medo no Booka Shade, que faz uma única apresentação no Tim Festival, dia 28 de outubro no Rio de Janeiro.
O BS é formado pelos DJs e produtores Walter Merziger e Arno Kammermeier, ambos alemães e berlinenses. E os rapazes não escondem que são responsáveis, junto com a gravadora a qual pertencem e também administram, a Get Physical, por apresentar uma sonoridade nova ao mundo eletrônico. O som que fazem é melódico e bonito. Ou podem ainda soar sombrios e melancólicos, mas sem nunca perder o tempo da pista.
Vale lembrar que os dois são donos de três superhits lá fora. 'Body language', 'Mandarine girl' e o mais recente 'In white rooms' tocam sem parar nos clubes europeus, sejam underground ou não. Por conta do sucesso, já entraram para o clube dos DJs mais requisitados.
Na entrevista abaixo, concedida direto da Alemanha, os dois falam sobre como será o show aqui e as expectativas em relação ao público brasileiro. Confira:
P: É a primeira vez de vocês no país, dentro de um festival importante. Mas são completamente desconhecidos. Isso os assusta?
R: Não, vemos como uma grande oportunidade. Músicas como 'Mandarine girl', Body language' e 'In white rooms' fazem muito sucesso na Europa, e ter a possibilidade de apresentar nosso som no Brasil nos deixa muito felizes. Estaremos de volta em 2007 para uma turnê maior, então esse primeiro show vai servir como um 'primeiro contato'.
P: No palco, vocês disseram que fazem um 'show de rock eletrônico'. É isso que vamos ver aqui?
R: Usamos muito hardware: sintetizadores, um kit de bateria eletrônica, mixers e muitos efeitos. Há muita ação física no palco porque tocamos o quanto podemos com nossas quatro mãos. Usamos quatro laptops, mas definitivamente somos uma banda de laptops.
P: A crítica ainda não decidiu se os classifica como electro-house ou minimal. Como definem o som que fazem?
R: Não somos grandes fãs dessas definições. Digamos apenas que é música eletrônica. Para descrever o som eu diria que é atmosférico, melancólico e com grande influência de trilhas sonoras.
P: Berlim é hoje o centro do Universo quando se fala de música eletrônica. Há alguma razão para isso?
R: Bom, pode ser porque Berlim sempre foi uma cidade agitada, nos anos 20 já era a capital do hedonismo. O Muro deu a Berlim Ocidental um status de ilha que atraiu muitos artistas: não só músicos, mas escritores, pintores, etc. Hoje está relativamente barato morar aqui, em comparação com Londres ou Paris. Em Berlim você sente a vibração constante de reinvenção, de quebra de barreiras.
P: É possível reconhecer um lançamento da Get Physical a quilômetros de distância. E vocês são responsáveis por isso. Quais são os ingredientes?
R: Escuto as pessoas dizerem que o que gostam nos lançamentos da Get Physical é que são para pista e também são bastante pop. Muita gente que não gosta de club music foi 'convertido' e ouve nossa música não apenas nos clubes, mas também em casa. Quando produzimos, tentamos dar identidade à faixa, uma cara única, seja via melodia ou um som diferente. Quando 'Body language' ou 'Mandarine girl' foram lançadas, não havia nada parecido nas pistas nem nas paradas. Elas são bem diferentes.
E é por isso que nossas músicas precisam de tempo para 'crescer' - as pessoas têm que se acostumar a um som novo.
P: Hoje vocês estão na crista da onda, mas pode ser que um dia isso acabe. Estão preparados para isso? Como isso vai afetá-los?
R: Não ligamos para isso. Estamos nessa há tempo suficiente para saber que como artista você deve seguir seu coração e fazer a música de que você gosta. Há momentos em que as pessoas gostam e acompanham você e sua música, mas algumas vezes isso não acontece. E isso não interfere no nosso trabalho. É o contrário, até. Preferimos ser 'difíceis' a sermos óbvios ou cheesy (termo em ingês para algo próximo da nossa gíria 'farofa').
P: E a história da música 'Madarine girl', é verdade? Pode contar como aconteceu?
É verdade, sim. Walter e eu costumávamos ir a um clube chamado The Omen, em Frankfurt, lá pelo meio dos anos 90. Era uma época muito boa, preciso ressaltar. Ótimas festas e um feeling fantástico.
Numa determinada noite, Walter estava dançando quando de repente uma menina apareceu na frente dele e colocou algo em sua boca. E era um pedaço suculento de tangerina (mandarine, em inglês). Isso mesmo, tangerina! E tão repentinamente como apareceu, ela se foi. Como um sonho, uma visão. Nunca a vimos de novo, mas quando fizemos essa faixa ela nos lembrou desses bons tempos e da 'Mandarine girl'.
BOOKA SHADE NÃO TEM MEDO DO BRASIL E ANUNCIA VOLTA EM 2007
O nome é estranho, eles são quase 100% desconhecidos aqui e pisam no país pela primeira vez. Porém, todas essas adversidades parecem não botar medo no Booka Shade, que faz uma única apresentação no Tim Festival, dia 28 de outubro no Rio de Janeiro.
O BS é formado pelos DJs e produtores Walter Merziger e Arno Kammermeier, ambos alemães e berlinenses. E os rapazes não escondem que são responsáveis, junto com a gravadora a qual pertencem e também administram, a Get Physical, por apresentar uma sonoridade nova ao mundo eletrônico. O som que fazem é melódico e bonito. Ou podem ainda soar sombrios e melancólicos, mas sem nunca perder o tempo da pista.
Vale lembrar que os dois são donos de três superhits lá fora. 'Body language', 'Mandarine girl' e o mais recente 'In white rooms' tocam sem parar nos clubes europeus, sejam underground ou não. Por conta do sucesso, já entraram para o clube dos DJs mais requisitados.
Na entrevista abaixo, concedida direto da Alemanha, os dois falam sobre como será o show aqui e as expectativas em relação ao público brasileiro. Confira:
P: É a primeira vez de vocês no país, dentro de um festival importante. Mas são completamente desconhecidos. Isso os assusta?
R: Não, vemos como uma grande oportunidade. Músicas como 'Mandarine girl', Body language' e 'In white rooms' fazem muito sucesso na Europa, e ter a possibilidade de apresentar nosso som no Brasil nos deixa muito felizes. Estaremos de volta em 2007 para uma turnê maior, então esse primeiro show vai servir como um 'primeiro contato'.
P: No palco, vocês disseram que fazem um 'show de rock eletrônico'. É isso que vamos ver aqui?
R: Usamos muito hardware: sintetizadores, um kit de bateria eletrônica, mixers e muitos efeitos. Há muita ação física no palco porque tocamos o quanto podemos com nossas quatro mãos. Usamos quatro laptops, mas definitivamente somos uma banda de laptops.
P: A crítica ainda não decidiu se os classifica como electro-house ou minimal. Como definem o som que fazem?
R: Não somos grandes fãs dessas definições. Digamos apenas que é música eletrônica. Para descrever o som eu diria que é atmosférico, melancólico e com grande influência de trilhas sonoras.
P: Berlim é hoje o centro do Universo quando se fala de música eletrônica. Há alguma razão para isso?
R: Bom, pode ser porque Berlim sempre foi uma cidade agitada, nos anos 20 já era a capital do hedonismo. O Muro deu a Berlim Ocidental um status de ilha que atraiu muitos artistas: não só músicos, mas escritores, pintores, etc. Hoje está relativamente barato morar aqui, em comparação com Londres ou Paris. Em Berlim você sente a vibração constante de reinvenção, de quebra de barreiras.
P: É possível reconhecer um lançamento da Get Physical a quilômetros de distância. E vocês são responsáveis por isso. Quais são os ingredientes?
R: Escuto as pessoas dizerem que o que gostam nos lançamentos da Get Physical é que são para pista e também são bastante pop. Muita gente que não gosta de club music foi 'convertido' e ouve nossa música não apenas nos clubes, mas também em casa. Quando produzimos, tentamos dar identidade à faixa, uma cara única, seja via melodia ou um som diferente. Quando 'Body language' ou 'Mandarine girl' foram lançadas, não havia nada parecido nas pistas nem nas paradas. Elas são bem diferentes.
E é por isso que nossas músicas precisam de tempo para 'crescer' - as pessoas têm que se acostumar a um som novo.
P: Hoje vocês estão na crista da onda, mas pode ser que um dia isso acabe. Estão preparados para isso? Como isso vai afetá-los?
R: Não ligamos para isso. Estamos nessa há tempo suficiente para saber que como artista você deve seguir seu coração e fazer a música de que você gosta. Há momentos em que as pessoas gostam e acompanham você e sua música, mas algumas vezes isso não acontece. E isso não interfere no nosso trabalho. É o contrário, até. Preferimos ser 'difíceis' a sermos óbvios ou cheesy (termo em ingês para algo próximo da nossa gíria 'farofa').
P: E a história da música 'Madarine girl', é verdade? Pode contar como aconteceu?
É verdade, sim. Walter e eu costumávamos ir a um clube chamado The Omen, em Frankfurt, lá pelo meio dos anos 90. Era uma época muito boa, preciso ressaltar. Ótimas festas e um feeling fantástico.
Numa determinada noite, Walter estava dançando quando de repente uma menina apareceu na frente dele e colocou algo em sua boca. E era um pedaço suculento de tangerina (mandarine, em inglês). Isso mesmo, tangerina! E tão repentinamente como apareceu, ela se foi. Como um sonho, uma visão. Nunca a vimos de novo, mas quando fizemos essa faixa ela nos lembrou desses bons tempos e da 'Mandarine girl'.
Escrito por Daniel Tambarotti
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04.10.06
LÁ VEM POLÊMICA
Courtney Love não sossega. Agora ela está posando de Santa. E não é mentira.
O fotógrafo espalhafatoso David LaChapelle fotografou a moça caracterizada como Virgem Maria, segurando no colo um Jesus Cristo muito parecido com Kurt Cobain.
É confusão na certa, mas nada que dona Love, escaldada que é, não consiga tirar de letra. Veja a foto:

LÁ VEM POLÊMICA
Courtney Love não sossega. Agora ela está posando de Santa. E não é mentira.
O fotógrafo espalhafatoso David LaChapelle fotografou a moça caracterizada como Virgem Maria, segurando no colo um Jesus Cristo muito parecido com Kurt Cobain.
É confusão na certa, mas nada que dona Love, escaldada que é, não consiga tirar de letra. Veja a foto:

Escrito por Daniel Tambarotti
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03.10.06
BASEMENT JAXX ACERTA EM CHEIO NO POP CHEIO DE SOUL
Desculpa aí, Daft Punk - quem mandou fazer 'Human after all', aquele disco preguiçoso e repetitivo? -, mas a melhor coisa eletrônica da música pop hoje é o Basement Jaxx.
A dupla inglesa tem dois grandes méritos que a credenciam ao posto. O primeiro: trafega entre o underground e o mainstream facilmente. Mantém o crédito com o mundo independente (DJs principalmente) de um lado e vende horrores do outro. E todo mundo fica feliz.
O segundo, e mais importante: Simon Ratcliffe e Felix Buxton são ousados. Não é qualquer um que tem cojones e talento para colocar violão cigano numa música e não parecer o Gypsy Kings.
Egressos do universo da house music britânica, os dois absorvem as melhores qualidades de uma diversidade de gêneros e jogam num caldeirão histérico e com personalidade única. Tem vocal hip-hop, climas soul, batidas dance, guitarras pesadas ou funkeadas. Ninguém faz igual.

E depois de um 'The best' muito bem sucedido artística e comercialmente, a expectativa era grande para o novo CD de inéditas dos londrinos. Sem sucumbir à pressão, Buxton e Ratcliffe fabricaram 'Crazy itch radio', o quarto álbum da carreira.
O novo trabalho mostra um Basement Jaxx menos nervosinho do que no CD anterior. Quem procura as melodias tortas à 'Break me off' ou as barulheiras (no melhor dos sentidos) de uma 'Lucky star' ou 'Where's your head at', não vai sair muito contente. O clima aqui está mais soulful, pop e dançante. Este é para os apreciadores de 'Just 1 kiss' e 'Romeo'.
De cara, os destaques são o pancadão/cavalaria de 'Hey you' e a linda, perfeita para o pós-balada 'Lights go down'. E continuam no disco as muitas colaborações nos vocais e os instrumentos inusitados - tem banjo no groove de 'Take me back to your house'.
'On the train' tem uma base que remete imediatamente a 'Stray cat blues', dos Stray Cats. Ou, viajando mais, percebe-se lá no fundo um pouco de 'Hit the road Jack', hino de Ray Charles, num andamento bem desalecerado. 'Hush boy' é o primeiro single e já circula em rádio e pistas numa infinidade de remixes.
'Crazy itch radio' é uma sucessão de acertos que o faz entrar com honras para a discografia sem falhas do Basement Jaxx.
BASEMENT JAXX ACERTA EM CHEIO NO POP CHEIO DE SOUL
Desculpa aí, Daft Punk - quem mandou fazer 'Human after all', aquele disco preguiçoso e repetitivo? -, mas a melhor coisa eletrônica da música pop hoje é o Basement Jaxx.
A dupla inglesa tem dois grandes méritos que a credenciam ao posto. O primeiro: trafega entre o underground e o mainstream facilmente. Mantém o crédito com o mundo independente (DJs principalmente) de um lado e vende horrores do outro. E todo mundo fica feliz.
O segundo, e mais importante: Simon Ratcliffe e Felix Buxton são ousados. Não é qualquer um que tem cojones e talento para colocar violão cigano numa música e não parecer o Gypsy Kings.
Egressos do universo da house music britânica, os dois absorvem as melhores qualidades de uma diversidade de gêneros e jogam num caldeirão histérico e com personalidade única. Tem vocal hip-hop, climas soul, batidas dance, guitarras pesadas ou funkeadas. Ninguém faz igual.

E depois de um 'The best' muito bem sucedido artística e comercialmente, a expectativa era grande para o novo CD de inéditas dos londrinos. Sem sucumbir à pressão, Buxton e Ratcliffe fabricaram 'Crazy itch radio', o quarto álbum da carreira.
O novo trabalho mostra um Basement Jaxx menos nervosinho do que no CD anterior. Quem procura as melodias tortas à 'Break me off' ou as barulheiras (no melhor dos sentidos) de uma 'Lucky star' ou 'Where's your head at', não vai sair muito contente. O clima aqui está mais soulful, pop e dançante. Este é para os apreciadores de 'Just 1 kiss' e 'Romeo'.
De cara, os destaques são o pancadão/cavalaria de 'Hey you' e a linda, perfeita para o pós-balada 'Lights go down'. E continuam no disco as muitas colaborações nos vocais e os instrumentos inusitados - tem banjo no groove de 'Take me back to your house'.
'On the train' tem uma base que remete imediatamente a 'Stray cat blues', dos Stray Cats. Ou, viajando mais, percebe-se lá no fundo um pouco de 'Hit the road Jack', hino de Ray Charles, num andamento bem desalecerado. 'Hush boy' é o primeiro single e já circula em rádio e pistas numa infinidade de remixes.
'Crazy itch radio' é uma sucessão de acertos que o faz entrar com honras para a discografia sem falhas do Basement Jaxx.
Escrito por Daniel Tambarotti
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02.10.06
TÁ ANSIOSO?
Eu também.
Limpem os ouvidos e passem óleo na cintura: os Beastie Boys estão chegando.
TÁ ANSIOSO?
Eu também.
Limpem os ouvidos e passem óleo na cintura: os Beastie Boys estão chegando.
Escrito por Daniel Tambarotti
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26.09.06
THIEVERY CORPORATION ENSINA A MILITAR COM ELEGÂNCIA
Esqueça aquela imagem estereotipada do revolucionário barbudo ou de manifestantes cabeludos e maltrapilhos. O Thievery Corporation, atração desta edição do Tim Festival (toca dia 28 de outubro no Rio e dia 29 em São Paulo), consegue unir num mesmo pacote engajamento e elegância. Foi o que disse o músico, DJ e produtor Rob Garza por telefone, direto de Washington DC, capital dos EUA e o coração político do mundo.
'Somos muito envolvidos com política, moramos em Washington, não tem como ser diferente. Quando se percebe o efeito que ela tem no mundo, você quer poder usar sua voz. E ser um músico me facilitou isso. Mais ainda: ser um artista independente, como é o caso do Thievery Corporation, nos dá liberdade para falar o que quisermos. Não temos chefes, não seremos despedidos', diz, lembrando que foi um dos organizadores no ano passado do evento-protesto Cease Fire, com bandas e artistas que desaprovam a conduta de Bush filho.
Calma, não se apresse para enquadrá-los na categoria 'chatos engajados'. Embalando todo esse discurso está uma música sofisticada e cheia de groove, que absorve o melhor dos mais diferentes estilos e ganha uma roupagem eletrônica moderna, de batidas suaves. É das coisas mais cool do pop atual. A bossa nova e o dub (vertente 'viajante' do reggae) são duas das principais influências da dupla - Garza tem como comparsa o amigo Eric Hilton.
'Conheci o Eric em 95, quando fui ao bar que ele tinha com uns amigos. Entrei e estava tocando uma das minhas músicas preferidas do Antonio Carlos Jobim. Conversamos sobre nossos gostos musicais e começamos a produzir juntos. Nessa época, fazíamos tudo com muitos samples, sintetizadores, muito corta-e-cola. Recentemente começamos naturalmente a resgatar nosso 'passado orgânico', temos usado muitos instrumentos convencionais'.
É todo esse peso 'orgânico' que vai acompanhar as picapes e discos de vinil da dupla no país. Eles trazem junto uma banda gigantesca, com guitarras, baixo, bateria, percussão e cerca de meia dúzia de cantores. 'Vamos fazer um mix de nossos últimos discos e há influências de muitos estilos diferentes na nossa música, a banda é fundamental', afirma.
Sobre a atual situação do mercado e a revolução digital pela qual passa música, Garza foi certeiro. 'Com os downloads, as pessoas compram mais. Entre outras coisas, evitam os vendedores chatos das lojas de discos (risos). A torta está crescendo, e vai ter pedaço para todo mundo. Para nós, independentes, é melhor ainda. Fica mais fácil de nos conectar com o público, mostrar coisas novas e nos economiza em logística, já que não precisamos nos preocupar com fabricação, transporte, distribuição, etc. É extremamente positivo!', exclama empolgado com o futuro.
THIEVERY CORPORATION ENSINA A MILITAR COM ELEGÂNCIA
Esqueça aquela imagem estereotipada do revolucionário barbudo ou de manifestantes cabeludos e maltrapilhos. O Thievery Corporation, atração desta edição do Tim Festival (toca dia 28 de outubro no Rio e dia 29 em São Paulo), consegue unir num mesmo pacote engajamento e elegância. Foi o que disse o músico, DJ e produtor Rob Garza por telefone, direto de Washington DC, capital dos EUA e o coração político do mundo.
'Somos muito envolvidos com política, moramos em Washington, não tem como ser diferente. Quando se percebe o efeito que ela tem no mundo, você quer poder usar sua voz. E ser um músico me facilitou isso. Mais ainda: ser um artista independente, como é o caso do Thievery Corporation, nos dá liberdade para falar o que quisermos. Não temos chefes, não seremos despedidos', diz, lembrando que foi um dos organizadores no ano passado do evento-protesto Cease Fire, com bandas e artistas que desaprovam a conduta de Bush filho.
Calma, não se apresse para enquadrá-los na categoria 'chatos engajados'. Embalando todo esse discurso está uma música sofisticada e cheia de groove, que absorve o melhor dos mais diferentes estilos e ganha uma roupagem eletrônica moderna, de batidas suaves. É das coisas mais cool do pop atual. A bossa nova e o dub (vertente 'viajante' do reggae) são duas das principais influências da dupla - Garza tem como comparsa o amigo Eric Hilton.'Conheci o Eric em 95, quando fui ao bar que ele tinha com uns amigos. Entrei e estava tocando uma das minhas músicas preferidas do Antonio Carlos Jobim. Conversamos sobre nossos gostos musicais e começamos a produzir juntos. Nessa época, fazíamos tudo com muitos samples, sintetizadores, muito corta-e-cola. Recentemente começamos naturalmente a resgatar nosso 'passado orgânico', temos usado muitos instrumentos convencionais'.
É todo esse peso 'orgânico' que vai acompanhar as picapes e discos de vinil da dupla no país. Eles trazem junto uma banda gigantesca, com guitarras, baixo, bateria, percussão e cerca de meia dúzia de cantores. 'Vamos fazer um mix de nossos últimos discos e há influências de muitos estilos diferentes na nossa música, a banda é fundamental', afirma.
Sobre a atual situação do mercado e a revolução digital pela qual passa música, Garza foi certeiro. 'Com os downloads, as pessoas compram mais. Entre outras coisas, evitam os vendedores chatos das lojas de discos (risos). A torta está crescendo, e vai ter pedaço para todo mundo. Para nós, independentes, é melhor ainda. Fica mais fácil de nos conectar com o público, mostrar coisas novas e nos economiza em logística, já que não precisamos nos preocupar com fabricação, transporte, distribuição, etc. É extremamente positivo!', exclama empolgado com o futuro.
Escrito por Daniel Tambarotti
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