25.04.07

UM BEIJO E ME LIGA, ANNA JÚLIA!

Então o Los Hermanos chega ao fim, sem grandes surpresas, né? O clima de despedida já pairava sobre o último disco, arrastaaaado que só. Sempre disse que essa era uma banda com data de validade curta.

O barba preta compondo e arranjando de um lado, o barba ruiva fazendo a mesma coisa do outro, ambos isolados convictos.

Aí juntavam seis músicas de um com as seis músicas do outro e colocavam no mesmo CD. E, bingo!, o álbum ficava um frankensteinzinho. Não dava para funcionar por muito mais tempo mesmo.


Escrito por Daniel Tambarotti
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19.04.07

PAREM AS MÁQUINAS

Todo mundo tem direito ao seu momento tiete. E esse agora é o meu, com licença. Confesso que depois de já ter perdido todas as esperanças de um terceiro disco do Portishead, fiquei muito feliz ao ver esse vídeo. O power trio Geoff Barrows, Beth Gibbons e Adrian Utley deu uma canja num nightclub de Bristol, cidade natal do grupo, para surpresa absoluta de quem estava no local.



A história é a seguinte: Barrows foi à festa local produzida pelo quarteto Grumpyman ('Seres errantes que dividem um amor por músicas tristes e melancólicas', na definição dos próprios) fazer um DJ set.

Inesperadamente, a cantora Beth Gibbons e o guitarrista Andrian Utley subiram ao palco e, de improviso, o Portishead se reuniu novamente naquele momento e tocou duas músicas: uma versão acústica e dolorida de 'Wandering star', do primeiro disco, e uma inédita, ainda sem nome. É ou não é motivo suficiente para voltar a esperar o álbum novo?

Na rede, é uma pena, está somente o trecho que contém 'Wandering star'. O pedaço com a inédita ninguém sabe, ninguém viu. Acredito eu que tenha rolado um acordo de cavalheiros e os Grumpy não a jogaram na internet atendendo a pedido e em nome da amizade que possuem com Geoff. O showzinho aconteceu no dia 25 de fevereiro passado.

Para assistir à apresentação, é só clicar nas imagens.


Escrito por Daniel Tambarotti
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17.04.07

MAXÏMO PARK ACERTA EM CHEIO

Não ter sido o alvo principal do hype desmedido ao qual a geração de bandas pós-Strokes foi submetido fez muito bem ao Maxïmo Park (assim mesmo, com esse trema esquisito). Enquanto os Arctic Monkeys se queimavam à frente dos flashes dos fotógrafos, com um segundo CD que muito prometeu e pouco entregou, os meninos do Park curtiam uma sombrinha para, sem cobrança ou encheção de saco, fazer da vida o que quisessem.

E Paul "Scooby" Smith e cia fizeram o ótimo "Our Earthly Pleasures", o segundo do grupo, que está saindo do forno. O álbum novo é uma clara evolução da estréia. Enquanto "A certain trigger" apresentava um gráfico de altos e alguns baixos, esse agora mantém a qualidade lá em cima durante seus quase 42 min de duração, sem percalços. Tudo é direto e sem firulas - só uma música tem mais de quatro minutos, sem desperdício. Um mérito do produtor Gil Norton, responsável somente por "Doolittle", dos Pixies.



Diante do gostinho pop do disco, vão ter os que dirão que a banda farofou, adocicou demais. Besteira. "Our Earthly Pleasures" é da melhor qualidade, com muitos rockinhos de guitarras com a cara da banda, cheio de músicas para cantar junto e com energia que não se vê em qualquer garagem. Vale o registro: não há música aqui sem potencial radiofônico, são todas muito bem construídas, extremamente cantaroláveis. E isso é um elogio.

Com uma voz que às vezes assusta de tão parecida com a de Paul Weller (The Jam), o já citado Smith comanda a trupe e é a grande figura do CD. Notam-se mais pianos e teclados nos arranjos e há até cordas em "Sandblasted and set free", provavelmente a mais bonita das 12 faixas. O primeiro single é "Our velocity", mas é a trinca "Russian literature", "Karaoke plays" e "Your urge" que oferece o melhor momento do disco. Arctic quem?

Ouça essas:
"The unshockable"
"A fortnight's time"


Escrito por Daniel Tambarotti
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13.04.07

QUEM VAI DAR A MÃO A TRACEY THORN?

Tracey Thorn sabe muito bem com quem se enturmar. Fez fama como a voz da dupla meio bossa nova, meio eletrônica Everything But The Girl, ao lado do superprodutor Ben Watt, e tem no currículo participações com os mestres da house music Deep Dish ("The future of the future") e os trip-hoppers do Massive Attack ("Protection", entre outras).

Dessa vez, para gravar seu segundo disco solo, ela também escolheu uma ótima companhia. Porém, apesar de ter o DJ e produtor de house Ewan Pearson comandando o estúdio, "Out of the woods" não entrega o que se espera de uma dupla tão estrelada.

O problema está na produção tímida de Pearson, que coloca pouco (ou quase nada) de seu talento a serviço das músicas da inglesa. E sendo Tracey uma cantora que precisa ser guiada - as colaborações com outros artistas são geniais, e Ben Watt tinha pulso firme no EBTG -, esse problema toma porporções gigantescas aqui.

Não me lembro da última vez em que ouvi um disco com uma música de abertura tão ruim como "Here it comes again", balada arrastada, que parece uma canção de ninar. Já o clima sombrio e o grave de "A-Z" fazem ter esperança no que vem pela frente. A faixa "It's all true", o primeiro single, é muito boa, com aquele gostinho funk dos 70 - já com montes de remixes nas pistas mais antenadas por aí.

As coisas degringolam novamente com umas lentinhas sem sal no meio do disco e só voltam a melhorar com "Grand Canyon", a melhor das 11 faixas. É na qual a mão de Ewan mais aparece: dançante, cool, sofisticada, a cama perfeita para a voz de Thorn. Tinha tudo para ser um discaço, mas patinou na falta de pulso de Mr. Pearson.

Ouça essas:
"It's all true"
"Grand Canyon"


Escrito por Daniel Tambarotti
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12.04.07

DESESPERO

Então o segundo disco do Arctic Monkeys está aí e, nenhuma surpresa, é bem marromeno. Muito barulho por uma banda que é só legal, mas foi saudada como melhor isso, melhor aquilo. Dessa leva de bandinhas de rockinhos, tem uma meia dúzia mais interessante que eles.



É o resultado dessa corrida desesperada e sem critérios pelo novo, que tem sua forma mais evoluída na imprensa britânica - NME à frente - e é bastante presente aqui também.

Não dá certo ser apenas uma antena do que rola lá fora e sair vomitando nomes de bandas e movimentos a torto e a direito - New Rave? Faz-me rir. É preciso também ser filtro e ter bom senso.

O Arctic Monkeys é nota 6 e já era assim no primeiro disco. Só não viu quem não quis.


Escrito por Daniel Tambarotti
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10.04.07


BJÖRK E O INTRUSO

Acaba de pingar na rede 'Earth intruders', a música nova da Björk. Uma das duas faixas produzidas por Timbaland, é das coisas que mais mexeram com a minha curiosidade nos últimos meses: como seria a combinação inusitada da 'estranheza' de Björk com os beats do midas do hip hop atual?

Ouvi a música umas dez vezes de ontem para hoje e... gostei. Não mudou a minha vida como esperava que fosse, mas é bacana.

A base é quase industrial, com graves distorcidos e muito barulho. O clima é claustrofóbico e o batuque digital de Timbaland dá o tom frenesi cavalaria que muito combina com as mais nervosinhas do Basement Jaxx.

O vocal de Björk voltou ao normal - até onde isso é possível. Ficou para trás toda a cabecice de 'Medulla' e da trilha de 'Drawing restraint', e isso é muito bom.

Chega de balela e clica aqui para baixar ou ouvir.


Escrito por Daniel Tambarotti
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05.04.07


GRINGO VIAJANTE

O DJ e produtor Prins Thomas está de malas prontas para vir ao Brasil. O norueguês vai tocar em São Paulo, no clube Lov.e, e vai ser a atração principal da próxima edição da festa carioca Moo. Quem confirma é o MySpace do próprio.

Prins (esse aí do lado) é um dos cabeças, junto com o conterrâneo Lindstrom (dono do hit 'I feel space'), da onda (marolinha, na verdade) que a imprensa gringa chama de space disco, um termo bobo para uma house bonita, melódica, com groove e vários barulhinhos 'viajantes' e 'espaciais', com o perdão dos termos. Tudo o que a ditadura minimal não faz e não gosta.

A dupla tem no currículo o elogiado álbum 'Lindstrom e Prins Thomas' e vem fazendo barulho fora do roteiro dos países nórdicos, berço do movimento: além das datas brasileiras, estão agendados para os principais clubes da Europa, Fabric e Turnmills entre eles.

Os paulistas vão conferir o set do malandro no dia 13 de abril, e os cariocas, no dia seguinte.


Escrito por Daniel Tambarotti
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03.04.07

MODEST MOUSE NADA MODESTO

O Modest Mouse, apesar das estranhezas sonoras, é uma banda pop. Vindos do estado de Washington, nos EUA, e crias do início dos anos 90, o quinteto não poderia estar mais longe da sonoridade grunge de Nirvana e cia. O grupo faz um pop de guitarras bem lapidado e divertido, mas precisou de dez anos para estourar.

Acaba de sair lá fora, sob a expectativa de toda a imprensa, "We were dead before the ship even sank", o esperado sucessor de "Good news for people who love bad news", de 2004, disco que traz o maior (e único) sucesso da banda até hoje: a sensacional "Float on".

A pergunta que vem de imediato é: tem uma nova "Float on"? Não, não tem. Mas quase 15 anos de carreira deram à banda a confiança necessária e suficiente para fazer seu melhor disco até hoje, mesmo sem uma música com o mesmo potencial de estouro do hit do disco anterior.



A sacada esperta do líder e vocalista Isaac Brock foi convidar para participar do CD o esquecido Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths. A química rolou, e Marr não só gravou as músicas como também saiu em turnê com banda.

Ao contrário do que se possa pensar, a presença do ex-amigo de Morrissey não diluiu a personalidade da banda. Mas foi fundamental para dar uma cara ainda mais pop e assobiável às canções. Os gritinhos e vocais esganiçados de Brock à la Frank Black continuam presentes. E, melhor ainda para o grupo, o disco vendeu 129 mil cópias na sua semana de estréia, chegando ao topo da parada da "Billboard".

É um álbum consistente, daqueles que se ouve de uma tacada só, sem cansaço, apesar de relativamente longo (são 14 faixas no total). "Spitting Venom" é a melhor música do disco, com a lentinha "Little motel" logo ali pertinho. E "Fire it up" é a que tem mais cara de possível hit.

"We were dead..." firma o Modest Mouse como boa banda do underground que fez a ponte com o mainstream e se estabeleceu com total segurança.

Ouça essas:
"People as places as people"
"Dashboard"
Escrito por Daniel Tambarotti
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30.03.07

SKOL BEATS OFICIAL


MSTRKRFT no line-up

Depois de muita especulação, saiu a escalação oficial do Skol Beats. Pela primeira vez na história do festival, o evento va acontecer em dois dias. Tudo para evitar a superlotação do ano passado. Grifados estão minhas apostas e curiosidades.

Só uma perguntinha antes: será que vai haver ano em que o Renato Cohen NÃO vai estar entre as atrações? Nem aquele live p.a. supermico que ele pagou ano passado foi suficiente para tirá-lo da lista final? Juro que eu gostaria de entender isso um dia...

Lá vai:

Sexta-feira, 4 de maio

SKOL LIVE STAGE
Denise
Léo Janeiro
Nathan Fake (live)
Magal
Gui Boratto (live)
SugarDaddy (live)
20:20 Soundsystem
Life is a Loop
Donnacha Costello (live)
MSTRKRFT

TENDA DJ MAG
Ingrid
Gabo
D Ramirez
Paulinho Boghosian
David Guetta
Sander Van Doorn

TENDA URBAN BEATS
Lui-J
Puff
Antonia’s
CIA
Q-Bert
Zegon
Afrika Bambaataa + TCIzlam
Tony Touch


Sábado, 5 de maio

SKOL LIVE STAGE
Marcos & Marcelo Braga
Julio Torres
Propulse (live)
Carl Loben (DJ Mag)
The Cuban Brothers
Bonde do Rolê
MixHell: Iggor Cavalera & Laima Leyton
Shapeshifters
The Crystal Method
Simian Mobile Disco
Guy Gerber (live)
Murphy

TENDA DJ MARKY AND FRIENDS
Marquinhos Espinosa
Bungle
Patife
D-Bridge
DJ Marky
Friction
Andy
Fabio & Grooverider
DJ Marky & Laurent Garnier

TENDA THE END
Junior C
Rodrigo Ferrari
Marcelinho CIC
M.A.N.D.Y
Renato Cohen
Laurent Garnier
Anderson Noise
Miss Kittin

Escrito por Daniel Tambarotti
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26.03.07

JAMES MURPHY É O CARA

O LCD Soundsystem, além de ter cometido um dos melhores CDs de 2007, está cotado para chegar ao segundo lugar da parada de discos mais vendidos da Billboard. Seria um feito e tanto unir o respeito do underground com vendas astronômicas. Aí mesmo é que ninguém tira de James Murphy o troféu de salvador da música pop desta década. Vamos ver.

Aproveitando a deixa, vai aqui o minidocumentário que mostra os bastidores das gravações do clipe de 'North american scum', o primeiro single de 'Sound of silver', esse tal melhor CD de 2007. E como é engraçado ver o multitarefa Murphy, que já é DJ, cantor e produtor, dar uma de diretor de clipes. Clica na foto para assisir.

Escrito por Daniel Tambarotti
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INFO SESSIONS DO RED BULL MUSIC ACADEMY

Acontece nesta terça, dia 27, no Rio Scenarium (Rua do Lavradio 20, Lapa), às 20h, o Info Sessions, vertente de debates do respeitado Red Bull Music Academy, uma espécie de 'escola' de música itinerante, com palestras e workshops de músicos de todo o mundo. O Rio de Janeiro é a primeira cidade a sediar o Info Sessions, que ainda vai para Belém, Fortaleza, Recife, Goiânia, Brasília, Campinas, São Paulo e Porto Alegre.



A idéia é debater sobre a produção nacional e estimular a inscrição de músicos brasileiros no Red Bull Music Academy. Nas mesas de discussão estarão BNegão (ex-Planet Hemp), Fred Zeroquatro (Mundo Livre S/A), o guitarrista Lúcio Maia (Nação Zumbi/ Maquinado), as cantoras Karine Alexandrino e Isaar (DJ Dolores), o jornalista Marcelo Ferla, o produtor eletrônico Gui Boratto, e mais os agitadores Marcel Arêde e Fabrício Nobre (Monstro Discos), o MC Marechal, Carlinhos Vás (Rádio Cipó), o advogado especialista em direito autoral na internet Nehemias Gueiros e os DJs Nuts, Primo (ex-Marcelo D2) e Camilo Rocha.

A programação completa você confere aqui.


Escrito por Daniel Tambarotti
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22.03.07


BJÖRK QUER O BATIDÃO

Os fãs de Björk estão aflitos, querem logo que chegue o dia 7 de maio, quando chega às lojas 'Volta', o esperadíssimo CD novo da cantora. Enquanto o disco não chega ou 'vaza' na internet, vai aí a capa. Björk meio japa imersa em cores gritantes.



Em recente entrevista ao descolado Pitchfork ela disse que, depois de 'Medulla' (que dá um soooono), passou a sentir saudade dos beats, o que nos leva a deduzir que este seja um álbum mais inclinado para as pistas. 'Tudo que eu queria fazer era me divertir e fazer algo para cima', disse a islandesa.

Entre o time estrelado de colaboradores, está lá o midas do hip hop Timbaland co-produzindo, promovendo a parceria mais curiosa da música pop em anos. Vale lembrar que Timbaland tem no currículo nomes como Nelly Furtado (fase atual), Justin Timberlake e Jay-Z, todos nada a ver com o som de Björk.

A cantora falou sobre o primeiro encontro dos dois. 'Quando o encontrei pela primeira vez ele disse: 'O que você quer? Quer fazer alguma coisa estranha? Ou um hit?' E eu respondi: 'Como você pode perguntar isso? Não conseguiria trabalhar assim - decidir o que é sem nem ao menos ter começado.'

Eu não só estou muito curioso para ouvir o resultado disso, como também espero com a mesma ansiedade cair no YouTube um vídeo mostrando as discussões do dia-a-dia desses dois no estúdio.


Escrito por Daniel Tambarotti
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21.03.07

OS IRMÃOS ESTÃO DE VOLTA

O disco novo do Chemical Brothers já tem nome: 'We are the night'. Este é o sexto CD dos ingleses e sucessor do ótimo 'Push the button', de 2005.

O álbum sai lá fora em junho e, como aperitivo, Tom Rowlands e Ed Simmons vão fazer um show especial em Londres no dia 31 de maio, para logo depois sair em turnê pela Europa.



Para ficar por dentro das datas e notícias, valeu um pulo no MySpace da dupla. E aqui tem o vídeo de 'Believe', pancadão dos Brothers que freqüentou as paradas há pouco mais de um ano.


Escrito por Daniel Tambarotti
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20.03.07


DA ZONA LESTE PARA LONDRES

Fazer um disco de rock hoje que soe original não é pouca coisa. Num cenário onde ser hype é o que importa e onde a grande quantidade de referências não deixa espaço para quase nada inédito, o grupo britânico The Guillemots se sai muito bem com "Through the windowpane". Depois de um 2006 glorioso, quando o disco foi festejado por toda a crítica gringa - das revistas mais sisudas aos sites mais descolados -, a banda tem sua estréia lançada no Brasil.

O CD do quarteto chama a atenção de cara por fugir dos padrões que dominam o - perdão - indie rock. Os elementos básicos estão lá, mas muito mais interessantes porque combinados com outros. Tudo é muito bem produzido, com arranjos diferentes, complicados quase, mas recheados com uma leve melancolia dramática. É o tipo de disco que assusta à primeira audição e vai te conquistando aos poucos, música por música.

E a primeira do álbum já é a mais bonita: "Little bear", 100% cordas e pianos, chegando perto dos melhores momentos do compositor e produtor Craig Armstrong (arranjador do Massive Attack), muito bem guiada pelo vocalista Fyfe Dangerfield. "If the world ends" segue a mesma linha.

O Brasil se faz presente no grupo não apenas com o conterrâneo MC Lord Magrão, o titular da guitarra - originário da zona leste paulistana, ele emigrou para Londres e conseguiu o posto no Guillemots por meio de um classificado de jornal. Pindorama também dá as caras no título da jazzy "Trains to Brazil" e no batuque de "Sao Paulo". Na verdade o próprio quarteto é multinacional: Dangerfield é inglês, a baixista Aristizabal Hawkes, canadense, e o baterista Greig Stewart nasceu na Escócia.

Outros pontos altos de "Through..." ficam com a bateria programada de "Annie, let's not wait" e o jeito Manic Street Preachers de ser da faixa-título. A única escorregada séria é na "viajante" "Come away with me", um desperdício.

Ao fim, o disco mostra uma cara própria, personalidade e uma saudável disposição da banda para ousar. E essas características - no meio de tanta bandinha sem graça, sem sal e sem talento - são mais que bem-vindas; são necessárias.

Ouça estas:

"Made up love song #43"
"Blue would still be blue"
Escrito por Daniel Tambarotti
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15.03.07

CORRE ATRÁS DO SEU!

Poucos CDs foram tão esperados quanto este "Neon Bible", do grupo Arcade Fire. Depois da estréia arrasadora com "Funeral", em 2004, e do anúncio de que o segundo disco sairia no início de 2007, começou a corrida pelas músicas novas na internet, para onde o disco já havia "vazado" bem antes do lançamento oficial.

E valeu a pena o frenesi e a correria? Sim, muito. Zane Lowe, o festejado locutor/DJ da Radio 1, da BBC, pode comprovar. Ele tocou pela primeira vez uma música de "Neon Bible" em seu programa, e ao fim da mesma, de forma espontânea e emocionada, soltou um suspiro e disse (numa tradução livre): "Meu amigo, se essa música não te levou a nenhum outro lugar, só lamento por você. Eu estou impressionado!". A música era "Intervention".



E é ela mesma, provavelmente a melhor música de toda a carreira do Arcade Fire, que puxa o restante do disco, com aquela conhecida carga emotiva, cordas, melodias bonitas e intensas e arranjos épicos.

"Keep the car running" tem a textura mais pop das músicas do disco, o repeteco de "No cars go" (já lançada num EP da banda) é muito bem-vindo, "Neon Bible" é curtinha e assustadora - com um leve acento country, cantada em sussurros - e "My body is a cage" termina o disco com uma letra angustiada, como se o grupo estivesse se assumindo um outsider dentro do cenário no qual vive.

"Neon Bible" é diferente, mais aprofundado que seu antecessor, mas não causa o mesmo impacto de "Funeral", vale o aviso. Mas tem fôlego de sobra para figurar sem muito esforço entre os melhores lançamentos do ano. E olha que ainda estamos em março.

Ouça estas:
"Ocean Of Noise"
"Windowsill"


Escrito por Daniel Tambarotti
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